O deputado federal Paulo Teixeira faz uma análise sobre a desastrosa ação da Prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado, com a Tropa de Choque, na região conhecida como cracolândia no domingo, 21.

Por Paulo Teixeira

Foto: Daniel Arroyo/Ponte jornalismo

Neste domingo fomos surpreendidos com mais uma intervenção desastrosa e desumana na região da Luz, conhecida como Cracolândia, aqui em São Paulo. O prefeito João Dória, aquele mesmo que parou todas as obras da cidade, abandonou a zeladoria na periferia, piorou o congestionamento nas marginais e aumentou o número de mortes e vítimas no trânsito sob a justificativa de “acelerar São Paulo”, agora ataca com mais uma de suas atitudes inconsequentes a população mais vulnerável da cidade: a que faz uso abusivo de droga, em especial crack.

Durante os últimos quatro anos tivemos um sopro de humanismo, responsabilidade e seriedade com a política pública mais inovadora no país sobre o enfrentamento do problema do consumo excessivo de drogas: o programa De Braços Abertos, criado pela gestão Fernando Haddad.

Programa este baseado nas melhores práticas e experiências internacionais, elogiado por especialistas nacionais e da Europa e Estados Unidos que vinham a São Paulo conhecer a política que reduziu de 1500 para pouco mais de 400 usuários na região. Todos com acompanhamento médico intensivo, acompanhamento social, além de refeições diárias e possibilidade de trabalho, o que constitui-se como a essência de uma política de redução de danos. Isto é, era uma política que estava dando certo e tinha espaço para avanços.

O atual prefeito, como em outras ocasiões, não embasou tecnicamente sua decisão e, ao invés de atacar a questão central do problema, o tráfico descontrolado de drogas, preferiu o jeito mais fácil e covarde: agredir e dispersar os mais vulneráveis.

A gestão tucana do governador Geraldo Alckmin, seu padrinho político, já havia tentado, em 2012, a mesma abordagem na operação conhecida como Sufoco. Resultado: a repressão policial causou dispersão dos viciados para todas as regiões da cidade, criando mini-cracolândias em 30 cenas de uso de crack espalhadas por São Paulo.

Em 2012, essa operação desastrosa também foi feita sem planejamento algum, apenas com objetivos políticos, desrespeitando a população que precisava de assistência e acolhimento e não balas de borracha, bombas e cacetetes.

Horas depois da operação deste domingo, a imprensa já noticiava que usuários se espalhavam por outras regiões do centro como a praça da Sé e a praça da República, além de aumentarem a favela da região conhecida como Bresser.

Mais uma vez a população mais carente sofrerá as consequências dessa atitude irresponsável e midiática do prefeito que parece viver num reality show permanente. Uma política pública reconhecida no mundo todo, com resultados visíveis – diminuiu o tamanho da cracolândia e melhorou as condições de vida do usuário, foi fulminada por um simples capricho politiqueiro de um prefeito que se diz não-político e se mostra sim higienista, insensível e incompetente.